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Histórias da FIV

O quadro “Histórias da FIV” deste mês recebe a querida Maristela, uma embriologista pioneira no Vale do Paraíba e que por transbordar orgulho e amor pela profissão inspirou os filhos a fazerem parte deste universo e hoje em dia, o filho atuando como embriologista e a filha como médica em reprodução assistida, todos podem como família escrever ainda mais “Histórias da FIV”.

“Resiliência”

Paciente M.P de 40 anos buscou a clínica de reprodução humana para ser submetida a procedimentos de fertilização in vitro.
A paciente tinha consciência que depois dos 40 anos a taxa de fertilidade tem uma queda acentuada, mas relatou desde a primeira consulta que não desistiria do sonho de engravidar e que iria enfrentar todos desafios.

Na primeira aspiração folicular foi recuperado apenas um oócito maduro que foi submetido a FIV pois os espermatozoides do marido apresentavam parâmetros normais. Após 18 horas na observação do oócito, verificamos que não houve fertilização. Processou-se um segundo ciclo onde foi aspirado novamente um oócito, no qual foi realizado procedimento de ICSI. Em 18 horas foi observada a fertilização, tendo clivado no dia seguinte. No terceiro dia do procedimento, o embrião apresentava células de tamanhos desiguais e fragmentação. Realizou-se a transferência, entretanto a paciente não engravidou.
Mais dois ciclos foram realizados com resultados muito semelhantes e sem gravidez.

Na quinta tentativa foi optado por procedimento de ovodoação usando espermatozoide do marido, tendo sido transferidos dois embriões em D3 que resultaram em gravidez. Entretanto, com 24 semanas ela perdeu os bebês, mas apesar de toda a angustia e da difícil experiência eles não desistiram, persistindo nessa luta por um período de aproximadamente dois anos. Nós como profissionais, participamos dessa luta dando apoio ao casal com a finalidade de restabelecer a confiança e ajudando-os a vencer esse problema. Porém, nesse momento eu estava me sentindo incapaz e desestimulada.

Finalmente na sexta tentativa, usando óvulos doados, sêmen do marido e transferindo dois embriões a paciente engravidou, tendo um casal de filhos absolutamente saúdaveis. Hoje quando me pego com sentimentos de frustração e incertezas, lembro desse caso e vejo que há esperança real para o sucesso amanhã daquilo que você fracassa hoje.

Por: Maristela


Umas das maiores grandiosidades de se trabalhar com a Medicina Reprodutiva é tornar o improvável uma realidade. Assim é a história de P.M.L.M.

P.M.L.M. chegou na clínica de reprodução assistida com 40 anos, 5 inseminações intra-uterinas, 2 gestações que resultaram em aborto sendo uma delas ectópica. Além do fator idade, abortos e financeiro esta paciente ainda apresentava episódios de epilepsia fazendo uso de fenobarbital. Quando tudo parecia não ter mais saída um programa para casais de baixa renda acendeu uma luz de sua última tentativa. Após uma indução bem sucedida foram captados 30 oócitos, 22 maduros e 22 fertilizados.

Devido ao risco de hiperestimulo a médica optou pela utilização da estratégia Freeze All. Sete blastocistos foram congelados para posterior transferência. Após dois meses e preparação do endométrio foi agendada a transferência embrionária. Conforme protocolo, após a transferência embrionária, a paciente permanece na sala de procedimento por 15 minutos, neste momento de muita ansiedade a paciente apresentou uma crise convulsiva. A mesma foi socorrida por nossa equipe de enfermagem e médica e após algumas horas com o seu estado clínico já estabilizado, foi liberada. Após 9 dias veio a confirmação da gravidez clínica seguida de avaliação dos sacos gestacionais confirmando uma gravidez gemelar. Atualmente o casal de gêmeos tem 02 anos e são super saudáveis.

Na medicina reprodutiva é assim, aos nossos olhos tudo pode estar parecendo não ser favorável, mas aos olhos de Deus nada é impossível.

Por: Ana Luisa Menezes Campos


Paciente ALC de 42 anos, com infertilidade de secundária, e um filho 4 anos, foi submetida, em abril de 2017, a ciclo de fertilização in vitro por idade avançada, com indicação de PGS. Na primeira tentativa, paciente obteve 6 oócitos aspirados, destes apenas 3 oócitos estavam maduros para realização do procedimento de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI). O esposo, com 43 anos, no dia do procedimento teve dificuldades para ejacular e não conseguiu coletar material para realização do procedimento, e os oócitos foram vitrificados.

Em maio de 2017 casal retornou, e cônjuge obtém sucesso na ejaculação, porém amostra seminal apresentou baixa qualidade, com concentração total de 23 x 106 sptz/ml com 11 x 106 sptz/ml móveis.

Os 3 oócitos foram descongelados, com 100% de sobrevivência, foi realizada a ICSI, e após 18 horas os 3 oócitos apresentaram o sinal de fertilização. No D3 do desenvolvimento embrionário apenas 1 embrião havia evoluído com 7 células e sem fragmentação, e o AH foi realizado para biópsia em D5. Em D5 um blastocisto (B3AA) foi submetido a biópsia do trofectoderma, e após a análise por NGS foi detectado aneuploidia 47,XX -13,+16,+19. Devido a baixa qualidade espermática e oocitária, foi prescrito para o casal vitaminas e aconselhado uma rotina de vida saudável, no intuito de melhorar as taxas de fertilização e desenvolvimento embrionário em um próximo ciclo.

Assim, após 1 mês do último ciclo, em junho de 2017 casal retornou para segundo tratamento. O esposo mesmo com dificuldade de ejaculação conseguiu coletar, e a amostra seminal apresentou uma melhora significativa, com concentração de 58 x 106 sptz/ml e motilidade de 32 x 106 sptz/ml.

Na aspiração folicular foram recuperados 12 oócitos, destes, 9 estavam maduros, e foram submetidos ao procedimento de ICSI. Após 18 horas, 7 oócitos presentaram o sinal de fertilização. No D3 do desenvolvimento embrionário tivemos 7 embriões formados, 4 destes com 8 células e sem fragmentação, 2 destes com 6 células sem fragmentação e 1 embrião com 2 células e 15% de fragmentação, o AH foi realizado para biópsia em D5. Em D5 2 blastocistos (B3BB e B3AA) foram submetidos a biópsia do trofectoderma e vitrificados posteriormente, e em D6 mais 2 blastocistos (B4AA e B4AA) foram submetidos a biópsia do trofectoderma e vitrificados posteriormente, totalizando 4 embriões biopsiados. Após a análise por NGS apenas 1 embrião foi identificado como euploide (46, XX).

Em agosto de 2017, a paciente retornou para o preparo do endométrio e transferência deste único embrião, e após 12 dias, colheu o exame de gravidez, que indicou βhCG positivo. Realizou-se um primeiro controle ultra-sonográfico 20 dias após a transferência deste embrião descongelado, que mostrou presença de 1 saco gestacional intra-útero compatível com gravidez.

E após 4 semanas no segundo controle ultra-sonográfico foi observado saco gestacional com BCF 126 bpm CCN=1.02. Os tratamentos de reprodução assistida com o auxílio de tecnologias como o PGS, não só identificam alterações cromossômicas, evitando assim transferência de algum embrião alterado geneticamente diminuindo as chances de abortos ou sucessivas falhas de implantação, como reduzem o tempo de tratamento para se obter uma gestação.

Por: Thelma Santos Criscuolo(RJ)


Cada dia uma história diferente, uma luta, um sonho de vida. Assim é o meio da reprodução assistida. Todos os casos que passam por nossas mãos se tornam especiais, cada um de sua maneira. Vou contar aqui uma história um tanto bonita, caso onde a reprodução assistida tornou-se um meio de preservação da fertilidade.

M.C.A.L, 28 anos, após quatro cirurgias para tratar tumor no sistema nervoso central, foi encaminhada em 2012 ao Centro de Medicina Reprodutiva para congelamento de óvulos, pois estaria iniciando, em breve, sessões de radioterapia. Após estimulação ovariana controlada, no décimo terceiro dia de seu ciclo a paciente foi submetida à punção folicular, com captação de onze oócitos. Destes onze, dez mostraram-se maduros MII (metáfase II) e foram criopreservados pela técnica de vitrificação. Dez dias após a criopreservação de seus óvulos, a paciente iniciou as sessões de radioterapia, que se prolongaram por dois meses.

No ano de 2015, M.C.A.L, no momento com 30 anos e casada, retornou ao Centro de Medicina Reprodutiva para realizar a fertilização in vitro de seus oócitos criopreservados. Após desvitrificação dos oócitos, estes foram submetidos à técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI), resultando em cinco embriões viáveis no quinto dia do desenvolvimento embrionário. Destes, dois blastocistos, classificações 3AA e 3BB, foram transferidos para a cavidade uterina. Os outros três embriões foram vitrificados. Este ciclo resultou em beta hCG positivo, com implantação de dois embriões. A gravidez gemelar chegou a termo, com o nascimento de dois lindos e saudáveis bebês.
Casos como esse e tantos outros nos mostram a grandiosidade da vida humana e como é importante e gratificante poder ajudar na realização do grande sonho que é formar uma família!

Por: Fernanda Peruzzato